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Ex-presidente Santiago Peña é preso em casa após ser destituído no Paraguai

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Reprodução

O ex-presidente do Paraguai Santiago Peña foi detido e colocado em prisão domiciliar nesta sexta-feira (6), em Assunção, horas depois de ser destituído pelo Senado. A ordem partiu do Ministério Público, que investiga suspeitas de crimes relacionados ao escândalo financeiro do Ueno Bank, instituição que entrou em crise após descumprir exigências de solvência.

A Polícia Nacional foi até a residência de Peña para cumprir o mandado. Segundo a agência Reuters, ele deverá permanecer em prisão domiciliar enquanto a Promotoria define as acusações e os fatos específicos que serão atribuídos a ele. 

A ordem foi assinada por quatro integrantes do Ministério Público responsáveis pela investigação. Entre as classificações penais preliminares mencionadas pelas autoridades estão lesão de confiança, tráfico de influência e administração para proveito próprio. A definição dos fatos e das circunstâncias de cada possível crime ainda depende do avanço das apurações. 

A prisão ocorreu depois que 44 senadores votaram pela destituição de Peña, em julgamento político motivado por suspeitas de irregularidades e possíveis conflitos de interesse envolvendo o banco. O ex-presidente havia apresentado uma renúncia na quinta-feira (5), mas o Congresso não a aceitou e deu continuidade ao processo de impeachment.

Com a saída de Peña, o então vice-presidente Pedro Alliana assumiu a Presidência do Paraguai. 

LIGAÇÕES COM O BANCO

A investigação ganhou força após a intervenção do Banco Central do Paraguai no Ueno Bank, que não atendia aos requisitos mínimos de solvência. A crise deixou milhões de clientes sem acesso imediato às contas e também levantou questionamentos sobre recursos públicos depositados na instituição. Em 2023, Peña declarou possuir ações da Ueno Holding avaliadas em 6,144 bilhões de guaranis, valor equivalente a aproximadamente R$ 5,41 milhões na conversão apresentada na denúncia. Ele informou ter vendido a participação em abril de 2025.

RECURSOS PÚBLICOS SOB INVESTIGAÇÃO

A denúncia apresentada por parlamentares paraguaios também questiona a atuação do Banco Central antes da crise. Segundo os autores da representação, integrantes da instituição já teriam conhecimento dos problemas financeiros do Ueno desde abril de 2026, mas não adotaram medidas suficientes para evitar o agravamento da situação.

Outro ponto envolve depósitos de dinheiro público no banco. Entre as instituições citadas estão o Instituto de Previdência Social, a usina binacional de Itaipu, a entidade binacional Yacyretá e o Ministério da Economia.

Os parlamentares pediram que sejam analisadas individualmente as decisões que levaram à aplicação desses recursos, para esclarecer se houve prejuízo ao Estado ou eventual combinação entre os responsáveis pelas operações. As suspeitas ainda dependem de investigação e comprovação. 

Fonte: Hiper Notícias