A juíza responsável pelo julgamento da morte de Henry Borel, Elizabeth Machado Louro, afirmou que parecia estar em um “universo paralelo” durante a sessão no II Tribunal do Júri do Rio de Janeiro, nesta terça-feira (26).
A declaração ocorreu após mais de nove horas de oitiva do delegado de Polícia Civil Henrique Damasceno, responsável pela investigação inicial do caso.
Durante os questionamentos da defesa do ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho, feitos pelo advogado Zanone Júnior, a magistrada interrompeu a sessão e comentou:
“Parece que estou em universo paralelo, uma hora dessas e vocês discutindo máxima importância?”, afirmou a juíza.
Até o momento da interrupção, o delegado já havia respondido perguntas do Ministério Público. Na sequência, passou a ser questionado pela defesa de Jairinho. A defesa de Monique Medeiros ainda deve iniciar os questionamentos.
Mais cedo, Damasceno afirmou em depoimento que a versão apresentada pelos réus após a morte de Henry foi uma “farsa ensaiada”.
Segundo o delegado, depoimentos e provas técnicas apontaram divergências na narrativa apresentada inicialmente pelos acusados.
O júri deve durar entre sete e dez dias, segundo o Ministério Público. Jairinho e Monique respondem por homicídio triplamente qualificado, tortura, fraude processual e coação no curso do processo.
Rotina de agressões e laudos periciais
A investigação conduzida pela Polícia Civil apontou que Henry era submetido a uma rotina de agressões e torturas praticadas pelo padrasto.
Em um dos episódios relatados, Jairinho teria trancado o menino em um quarto, sendo que a criança foi ouvida gritando “eu prometo”. Depois, a criança teria alegado que “caiu da cama”.
O laudo do Instituto Médico-Legal (IML) identificou 23 lesões no corpo da vítima, com causa da morte por hemorragia interna e laceração hepática provocadas por ação contundente.
Segundo o delegado, esses resultados tornam a hipótese de acidente doméstico, sustentada pela defesa, tecnicamente impossível.
Fonte: Cnn Brasil




