Uma vila romana com mosaicos intrincados foi desenterrada nos arredores da capital italiana, numa descoberta notável que surgiu depois de a polícia ter sido alertada para uma escavação clandestina em terrenos do governo.
A propriedade está localizada no que hoje é a vila de Castel di Guido, a cerca de 19 quilômetros de Roma. Na época imperial — de 27 a.C. ao século V d.C. — era um pequeno povoado de palácios residenciais conhecido como Lorium.
A vila ainda está sendo escavada e estudada, mas os arqueólogos já descobriram um grande hall de entrada com um átrio e uma bacia rebaixada, conhecida como implúvio, cercada por um piso de mosaico com desenhos botânicos e geométricos em preto e branco.
Em seu auge imperial, Lorium era frequentado por imperadores como Adriano, Antonino Pio e Marco Aurélio, informou o Ministério da Cultura da Itália em um comunicado à imprensa no início desta semana.
A descoberta foi revelada quando vizinhos preocupados contataram as autoridades em fevereiro para denunciar atividades ilícitas no local.
Quando a polícia militar Carabinieri chegou ao local, reconheceu os sinais reveladores da ação de saqueadores de túmulos, que pilham sítios arqueológicos em busca de tesouros — uma prática que levou à venda ilícita de milhares de artefatos roubados, segundo o Ministério da Cultura.
Pequenos montes de terra, trabalhos realizados à noite e a ausência de placas de autorização para escavações informaram às autoridades, segundo um porta-voz da Polícia de Arte dos Carabinieri, uma unidade especializada dedicada a impedir o roubo dos vastos tesouros históricos da Itália.
As autoridades descobriram que um pequeno grupo de pessoas usou uma retroescavadeira para abrir caminho até uma vasta caverna subterrânea, em uma parte escondida da propriedade, protegida por cercas que eles cortaram.
Em poucos dias, a escavação foi interrompida e, embora os perpetradores tenham escapado, o que as autoridades encontraram foi surpreendente: uma antiga vila até então desconhecida com artefatos perfeitamente preservados.
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“Em apenas alguns dias, funcionários do Ministério da Cultura, em colaboração com os Carabinieri, interromperam uma operação clandestina”, disse o ministro da Cultura italiano, Alessandro Giuli, em um comunicado.
“Eles asseguraram uma área arqueológica e trouxeram à luz os restos de uma esplêndida vila da era imperial na zona rural romana, onde se localizavam as residências imperiais da dinastia Antonina.”
O ministério informou que parte da estrutura sofreu danos leves devido à escavação clandestina e ao uso de picaretas e furadeiras. Não se sabe se algo foi roubado.
Alessia Contino, arqueóloga da Superintendência Especial de Roma, responsável pelo levantamento da vila, afirmou que as descobertas variam de mosaicos suntuosos a trabalhos em mármore intrincados. Há também vestígios de uma estátua que se acredita ser de Silvano, o deus romano do campo, segurando um pequeno animal em uma das mãos e uma cesta adornada com pássaros na outra.
“A qualidade excepcional da decoração atesta que a vila pertencia a membros proeminentes da aristocracia romana, intimamente ligados à corte imperial”, disse Contino quando a descoberta foi revelada esta semana.
Durante décadas, saqueadores de tumbas pilharam sítios arqueológicos por todo o país, vendendo seus pertences no mercado negro.
Muitas dessas peças importantes acabaram em museus ao redor do mundo graças a negociantes de arte que falsificaram documentos de procedência ou as contrabandearam para fora do país.
Muitos dos artefatos foram devolvidos ao longo das últimas décadas, incluindo alguns provenientes de museus americanos.
Novas escavações ainda estão em andamento, mas o público em geral terá seu primeiro vislumbre do extraordinário sítio arqueológico no sábado, quando as visitas serão permitidas mediante agendamento.
O Ministério da Cultura informou que novas datas deverão ser adicionadas ao longo dos próximos meses.
Fonte: Cnn Brasil




