
ANA JÁCOMO
KARINE ARRUDA
DO REPÓRTERMT
O governador Otaviano Pivetta (Republicanos) confirmou hoje (25) que o Governo do Estado vai intervir financeiramente em Várzea Grande para tentar pôr fim à crise crônica no abastecimento de água que afeta o município.
Em tom de desabafo, o chefe do Executivo classificou a falta de água na cidade vizinha como uma “mazela primitiva” e revelou que já está negociando o repasse de recursos públicos diretamente para socorrer as operações do DAE (Departamento de Água e Esgoto).
Pivetta relatou o incômodo pessoal que sente ao observar o município contrastando o avanço econômico do estado com a precariedade vivida por milhares de moradores do outro lado do Rio Cuiabá. “Eu moro num belo prédio que enxerga toda a cidade de Várzea Grande e saber que, desse lado do rio, tem gente que não tem abastecimento de água em casa me deixa realmente comovido e preocupado“, declarou o governador.
Para ele, a situação atual se tornou insustentável para a imagem do estado no cenário nacional. “Como um estado vai se apresentar para o país e para o mundo como um estado desenvolvido se, do lado da capital, nós temos uma cidade com 350 mil irmãos mato-grossenses que têm necessidades básicas não supridas ainda? Nós não vamos mais assistir a essa história passivamente. Agir significa ajudar a fazer ou fazer, porque nós somos do fazimento“.
Gargalo histórico
A crise no abastecimento de Várzea Grande é um dos principais e mais antigos problemas de infraestrutura da Região Metropolitana. Há anos, a população da Cidade Industrial enfrenta um sistema severo de rodízio, onde bairros chegam a passar dias, ou até semanas, sem uma gota d’água nas torneiras.
O problema persiste mesmo após a entrega de Estações de Tratamento de Água (ETAs), como as do Cristo Rei e do Pari, evidenciando falhas graves e históricas na rede de distribuição do DAE, que perde grande parte da água tratada devido ao encanamento antigo e ao sucateamento do sistema.
Além do sofrimento da população, a autarquia municipal está no centro de constantes embates políticos, CPIs na Câmara de Vereadores e investigações de órgãos de controle devido à baixa eficiência técnica, alto endividamento e denúncias de fraudes no corte de faturas.
A incapacidade de o município resolver o problema de forma isolada transformou o DAE em um gargalo eleitoral permanente.
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Fonte: Repórter MT




