Condenado pela ‘Tragédia do Baldo’ no Rio Grande do Norte é preso em Cuiabá após 42 anos foragido | Cliquef5

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Uma investigação conjunta de alta complexidade entre a Polícia Civil do Rio Grande do Norte, a Polícia Civil de Mato Grosso e a Polícia Federal resultou na prisão de Aluísio Farias Batista (69 anos). Ele é o responsável por um dos capítulos mais sombrios da história de Natal (RN): a Tragédia do Baldo, que tirou a vida de 19 foliões e deixou dezenas de feridos durante o Carnaval de 1984.

O ex-motorista, que tinha 26 anos na época do crime, vivia uma vida pacata e discreta no bairro Jardim Presidente I, em Cuiabá (MT), onde já tinha constituído uma nova família. Para despistar as autoridades por mais de quatro décadas, ele utilizava a identidade de um homem falecido em Natal no ano de 1996.

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O Rastro Digital e a Tecnologia da Prisão

A captura não foi por acaso. A operação começou a ganhar corpo após o cruzamento de dados analíticos dos núcleos de inteligência. A polícia descobriu que, antes de adotar o nome falso, Aluísio chegou a emitir uma CNH com seus dados reais em Mato Grosso, em 1995. O cerco se fechou quando os investigadores rastrearam o falecimento do pai do foragido, ocorrido em Tangará da Serra (MT) em 2021 — um forte indício de que o criminoso havia se estabelecido na região centro-oeste.

A confirmação final do paradeiro do condenado exigiu o uso de tecnologias modernas de segurança pública:

  • Reconhecimento Facial: Sistemas automatizados analisaram traços biométricos atuais do suspeito e os cruzaram com a única foto antiga disponível, registrada no ano do crime (1984).

  • Cruzamento de Dados Estaduais: O Núcleo de Inteligência da Polinter-MT atuou junto à Perícia Oficial (Politec) e ao Detran-MT para desmascarar a documentação fraudulenta.

Ao ser abordado pelas equipes policiais na última sexta-feira, Aluísio tentou fornecer o nome falso, mas, diante das evidências e do confronto dos dados, acabou confessando sua real identidade.

O Impacto Histórico da Tragédia do Baldo

Na madrugada de 25 de fevereiro de 1984, Aluísio conduzia um ônibus lotado que desceu a ladeira da Avenida Rio Branco (na região conhecida como Baldo, em Natal) e atropelou os integrantes do tradicional bloco carnavalesco Puxa-Sacos.

O desastre matou 19 pessoas — incluindo músicos militares e o neto do então senador Dinarte Mariz — e feriu gravemente outras 12. O episódio causou tamanha comoção que gerou luto oficial de três dias e mudou a cultura local, iniciando o declínio dos blocos de rua tradicionais na capital potiguar.

Em sua defesa aos policiais em Cuiabá, Aluísio alegou que fazia uma viagem extra a pedido de um superior e que o freio do ônibus não respondeu a tempo após ele tentar desviar de um Volkswagen Fusca. Ele admitiu que decidiu fugir do Rio Grande do Norte logo após o caso ser retratado em rede nacional pelo programa Linha Direta. O mandado de prisão contra ele, expedido após sua condenação a 21 anos de reclusão, tinha validade estipulada até 2029.

Contexto Nacional: O Cerco aos Foragidos de Longo Prazo

A prisão de Aluísio Farias Batista reflete uma tendência consolidada na segurança pública brasileira ao longo deste primeiro semestre de 2026. A captura de criminosos que passaram décadas escondidos sob falsas identidades tem se tornado frequente graças a dois fatores principais monitorados nos últimos 3 meses pelas Secretarias de Segurança:

  1. A Unificação de Bancos de Dados Biométricos: A integração dos sistemas de identificação civil e criminal entre os estados brasileiros impede que um CPF ou RG falso emitido em uma região passe despercebido em outra.

  2. Operações Integradas Interestaduais: A exemplo da Operação Resgate (escopo no qual esta prisão foi efetuada), as Polinters de diferentes estados deixaram de atuar isoladamente. O compartilhamento de inteligência em tempo real transforma fronteiras estaduais, que antes eram rotas de fuga, em armadilhas eletrônicas.

Segundo a delegada titular da Polinter-MT, Silvia Maria Pauluzzi de Siqueira, o investimento na reestruturação dos Núcleos de Inteligência tem sido o principal motor para solucionar casos arquivados e dar uma resposta definitiva às famílias das vítimas. Aluísio agora permanece na capital mato-grossense aguardando os trâmites jurídicos para sua transferência ao Rio Grande do Norte, onde finalmente cumprirá sua pena.

Assista a este jornal detalhando a prisão do motorista da Tragédia do Baldo para conferir a análise da Polícia Civil sobre os documentos falsificados utilizados por ele em Mato Grosso, além de imagens da única fotografia de 1984 que ajudou na identificação.



Fonte: Click F5