PSD vai à Justiça contra decreto de Abílio sobre tamanho mínimo de lotes em Cuiabá – PNB Online

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(Foto: Prefeitura de Cuiabá)

(Foto: Prefeitura de Cuiabá)

O Diretório Municipal do PSD em Cuiabá entrou nesta terça-feira (30.06) com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade no Tribunal de Justiça de Mato Grosso contra um decreto do prefeito Abílio Brunini (PL) que suspende temporariamente a análise e a aprovação de projetos de loteamento com terrenos inferiores a 200 m² ou testada menor que 10 metros.

Na ação, o partido afirma que o Decreto Municipal nº 12.169/2026 altera parâmetros urbanísticos que deveriam ser discutidos e aprovados pela Câmara Municipal. Segundo o PSD, a medida viola o princípio da separação dos Poderes ao impor, por decreto, uma restrição que modifica regras previstas em lei complementar.

A Lei Complementar Municipal nº 389/2015 estabelece que o lote mínimo geral em Cuiabá é de 180 m². Em Zonas Especiais de Interesse Social (Zeis 1), a norma permite áreas de até 125 m². Para o partido, a prefeitura não poderia mudar esses parâmetros por ato administrativo, nem paralisar processos de aprovação de empreendimentos com base em decreto.

O PSD pede a suspensão imediata da medida em caráter liminar. A legenda argumenta que a manutenção do decreto pode causar insegurança jurídica, interromper projetos habitacionais e elevar custos de empreendimentos voltados à população de baixa renda.

Antes de editar o decreto, a gestão Abílio havia enviado à Câmara um projeto de lei complementar com conteúdo semelhante, em regime de urgência. A proposta, porém, foi retirada de pauta após críticas de representantes do setor imobiliário e da construção civil durante audiência pública.

A prefeitura afirma que a restrição tem como objetivo conter o adensamento desordenado e melhorar as condições de infraestrutura urbana enquanto o Plano Diretor passa por revisão.

O decreto também provocou reação por seu possível impacto sobre programas habitacionais, como o Minha Casa, Minha Vida, do governo federal, e o Ser Família Habitação, do governo estadual. Representantes do setor da construção civil afirmam que lotes maiores tendem a encarecer os projetos, o que pode dificultar o enquadramento de imóveis nos limites de financiamento popular.

Em Cuiabá, a própria prefeitura estima que 44 mil famílias não tenham moradia própria.

A presidente do PSD Mulher em Mato Grosso, Rafaela Fávaro, afirmou que a medida afeta principalmente famílias de baixa renda.

“Quando um gestor toma uma decisão arbitrária, sem diálogo com a Câmara e com o setor produtivo, a conta sempre sobra para quem mais precisa. Aumentar o custo do terreno significa afastar a chave da casa própria das mãos das mães de família cuiabanas”, disse.

Segundo ela, o Minha Casa, Minha Vida foi criado para ampliar o acesso à moradia e reduzir desigualdades. “Usar um decreto inconstitucional para inviabilizar moradia popular não é planejamento urbano, é insensibilidade social”, afirmou.

O senador Carlos Fávaro (PSD-MT) também já havia criticado a medida, sob o argumento de que ela poderia dificultar a atração de recursos federais para a construção de casas populares na capital.

A decisão sobre a suspensão ou manutenção do decreto caberá ao Órgão Especial do Tribunal de Justiça de Mato Grosso.



Fonte: Pnb Online