Adolescente de 17 anos de idade é torturado e executado por membros de facção no Estado de  Mato Grosso | Cliquef5

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A violência do crime organizado fez mais uma vítima no interior de Mato Grosso. Na tarde da última quarta-feira (1º), o corpo de Maxwell, de 17 anos, foi encontrado boiando no Rio Manito, em Marcelândia (870 km de Primavera do Leste). O jovem apresentava sinais severos de tortura, resultado de um “salve” — punição física aplicada por facções criminosas — que evoluiu para execução. Dois suspeitos, de 18 e 20 anos, já foram presos em flagrante.

O desaparecimento do adolescente havia sido registrado pela família na terça-feira (30). De acordo com o relato da irmã da vítima, Maxwell foi abordado em sua residência por dois jovens em uma motocicleta Honda Biz escura e sem placa. Pouco depois, ele foi forçado a entrar em um veículo Corsa Sedan. A partir daquele momento, o celular do menor foi desligado e suas redes sociais, desativadas.

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Dívidas com o Tráfico e Caçada em Hospital

A investigação da Polícia Civil revelou que o adolescente vinha sofrendo ameaças de morte recorrentes. Maxwell atuava na venda de entorpecentes para um homem que cumpre pena sob monitoramento de tornozeleira eletrônica. Por não quitar as dívidas da droga comercializada, ele foi denunciado ao “gerente” do tráfico local, que decretou sua morte.

A situação do jovem havia se agravado após ele se envolver no furto de uma motocicleta. Na ocasião, Maxwell sofreu um acidente de trânsito e precisou ser hospitalizado; membros da facção criminosa chegaram a ir até a unidade de saúde na tentativa de localizá-lo para aplicar a punição.

Prisão e Perícia

Após o sequestro, os policiais militares iniciaram as buscas e localizaram dois dos suspeitos escondidos em uma kitnet da região. Ao perceberem o cerco policial, ambos tentaram fugir, mas foram contidos e encaminhados à Delegacia de Polícia Civil. 

Seguindo as coordenadas fornecidas pelas denúncias e interrogatórios, as equipes encontraram vestígios de sangue em uma área de mata às margens do Rio Manito, a cerca de 20 quilômetros do centro de Marcelândia. Com o auxílio de barcos e o apoio do pai da vítima, o corpo do adolescente foi avistado na água. Maxwell estava com os pés e as mãos amarrados.

A Politec (Perícia Oficial e Identificação Técnica) confirmou as evidências de tortura contundente antes da execução. O corpo foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) de Sinop, e as autoridades continuam trabalhando para identificar outros envolvidos no crime.

O Avanço das Facções e a Prática do “Salve” em Mato Grosso

O brutal assassinato de Maxwell não é um caso isolado, mas reflete a escalada de violência imposta pelos “tribunais do crime” no estado de Mato Grosso no primeiro semestre de 2026.

  • Casos Recentes de Punição Coletiva: A prática do “salve” tem mobilizado fortemente as forças de segurança. No final de maio de 2026, uma operação da Polícia Militar em Cuiabá conseguiu interceptar uma sessão de tortura em tempo real no bairro Novo Horizonte, resultando na prisão de oito suspeitos. Assim como no caso de Marcelândia, a vítima da capital havia sido atraída e capturada sob ameaças de morte contra seus familiares por conta de dívidas de drogas.

  • A Rota do Tráfico no Interior: Municípios do Norte e Médio-Norte mato-grossense têm enfrentado forte pressão de facções devido à sua posição geográfica estratégica para o escoamento de entorpecentes. Em fevereiro deste ano, por exemplo, uma operação conjunta em Marcelândia resultou na apreensão de meia tonelada de cocaína em uma aeronave pronta para decolar, evidenciando o peso logístico da região para o crime organizado.

  • Reação Institucional: O Governo Federal e as forças estaduais intensificaram as ações integradas de inteligência com o programa Brasil Contra o Crime Organizado. Entre maio e junho de 2026, as operações focadas no sufocamento financeiro e na presença policial em áreas periféricas e de fronteira resultaram em quase 8 mil prisões e na apreensão de mais de 80 toneladas de entorpecentes em território nacional, na tentativa de desarticular o comando dessas organizações que ordenam execuções como a ocorrida em Marcelândia.



Fonte: Click F5