Testemunha diz que tenente não tentou reanimar Gisele “em nenhum momento”

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Testemunha afirma que Tenente-Coronel não tentou reanimar Gisele  • Reprodução

O capitão da Polícia Militar Rafael Gustavo de Aguiar disse em audiência que estranhou o fato de que o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa — réu pela morte da cabo  Gisele Alves Santana — não tentou realizar nenhuma tentativa de reanimação cardiopulmonar na esposa.

De acordo com o capitão, Geraldo estava tranquilo ao contar a sequência dos fatos, e o que mais chamou atenção dos policiais foi que o tenente não tentou “em nenhum momento” realizar a manobra de emergência conhecida como RCP (Ressuscitação ou Reanimação Cardiopulmonar).

Nas audiências, prestaram depoimento o cabo Adalberto Fernandes Lima, o soldado Santos e Silvam e o pai de Gisele, José Simonal Teles de Santana. 

Para José, a morte da filha jamais poderia ser considerada como suicídio. “Jamais minha filha se matou. Isso eu tenho certeza”, disse o pai durante as oitivas.

O cabo Adalberto reforçou que o tenente-coronel estava muito calmo no momento em que os agentes chegaram ao local. “O que nos chama atenção era a calma com que ele relatava os fatos, e qualquer familiar que presencia um fato como esse fica muito agitado”, disse o policial.

Segundo a 5ª Vara do Júri da Capital, as audiências se iniciaram na última segunda (29) e, no total, foram ouvidas 30 pessoas. Entre elas, estavam familiares e a filha da vítima.

Ainda de acordo com a justiça, o interrogatório do réu, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto — antes marcado para esta sexta (3) —, foi designado para o dia 28 de agosto às 10 horas.

O crime

A soldado da Polícia Militar Gisele Alves Santana, de 32 anos, foi encontrada morta em seu apartamento no Brás, na região central de São Paulo, no último dia 18 de fevereiro. Inicialmente tratada como suicídio, a ocorrência evoluiu para um inquérito de feminicídio qualificado e fraude processual.

De acordo com o MP, após o crime o oficial teria tentado simular um suicídio ao posicionar a arma na mão da vítima e alterar a cena para induzir a investigação a erro.

Laudos periciais apontam inconsistências na versão apresentada pela defesa. As investigações identificaram vestígios de sangue nas roupas do acusado e indícios de que ele teria tomado banho após o crime para eliminar provas.

Para o Ministério Público, o homicídio foi praticado por motivo torpe, relacionado ao sentimento de posse e à recusa do acusado em aceitar o fim do relacionamento. A denúncia também afirma que Gisele foi surpreendida, sem possibilidade de defesa, circunstância que qualifica o crime.

O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, marido de Gisele, está preso preventivamente no Presídio Militar Romão Gomes desde 18 de março. Ele foi denunciado pelo Ministério Público e se tornou réu por feminicídio e fraude processual.

Fonte: Cnn Brasil