
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Saúde da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) intensificou as investigações sobre os contratos emergenciais firmados durante a pandemia da Covid-19. Em oitiva recente, o colegiado colheu o depoimento do procurador-geral do Estado, Francisco de Assis da Silva Lopes, e confrontou a médica e empresária Virgínia Scaff Gonçalves Grassani Silva, que optou por exercer seu direito constitucional ao silêncio.
A gravidade das apurações e as recentes manobras jurídicas das defesas forçaram a ALMT a aprovar a prorrogação dos trabalhos por mais 180 dias, estendendo o fechamento da CPI para o início de 2027. De acordo com a relatoria, o novo prazo foi motivado por decisões judiciais que obrigaram a comissão a reabrir prazos para que os investigados tivessem acesso integral aos autos.
Jogo de empurra na fiscalização e silêncio na comissão
Convocado para esclarecer a validação jurídica dos contratos, o procurador-geral Francisco de Assis delimitou as fronteiras de atuação da Procuradoria-Geral do Estado (PGE). Segundo ele, o órgão realiza estritamente o controle prévio de legalidade dos processos administrativos, emitindo pareceres antes das assinaturas. O procurador eximiu a PGE da responsabilidade de fiscalizar a execução prática do que foi contratado, empurrando a atribuição para a Controladoria-Geral do Estado (CGE) e para o Tribunal de Contas (TCE). Confrontado com indícios de pagamentos efetuados sem cobertura contratual, Assis afirmou desconhecer as planilhas da comissão.
Logo em seguida, a médica Virgínia Scaff blindou-se por meio de sua defesa. Investigada por receber mais de R$ 4,2 milhões da Secretaria de Estado de Saúde (SES), ela preferiu não responder a nenhuma pergunta dos parlamentares.
O cerne da fraude: A empresa de Virgínia — V. Scaff Gonçalves & Cia Ltda. (Clínica Rostey) — foi contratada sem licitação para gerir 10 leitos de UTI no Hospital Regional de Cáceres. Relatórios da Controladoria-Geral da União (CGU) apontam que a empresa estava registrada na Junta Comercial como uma clínica voltada a procedimentos de dermatologia e estética, sem qualquer histórico, estrutura técnica ou experiência comprovada em medicina intensiva de alta complexidade.
Conexão Federal: Sabotagem hacker e cruzamento de dados
O desfecho dos trabalhos da CPI agora corre em paralelo com uma investigação sigilosa da Polícia Federal. Durante as reuniões, veio à tona a suspeita de uma tentativa de ataque cibernético direcionada aos servidores da Secretaria de Saúde, exatamente nos bancos de dados que guardam o histórico das negociações da pandemia. A equipe técnica da CPI aguarda o compartilhamento dos laudos periciais da PF para mapear se houve apagão ou adulteração de provas documentais.
Para as próximas semanas da nova fase, a comissão já aprovou a convocação do médico Luiz Wagner Silveira Golembiowski e planeja intimar ex-dirigentes de hospitais regionais e os principais secretários da pasta para cruzar depoimentos com as quebras de sigilo bancário e fiscal obtidas pelo colegiado.
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Fonte: Click F5




