“Irmã” de projeto religioso fotografou filho e outra criança com fuzis do CV | Rdnews

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Rhavenna Barcelos, crianças armadas, CV, Operação Fariseus

Além de posar com armas de alto calibre, nas redes sociais, Rhavenna Barcelos de Almeida, presa nessa quinta-feira (16) durante a Operação Fariseus, deflagrada pela Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) e Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco), também fotografou o seu filho, menor de idade, e outra crianças, ambos portando um fuzil cada. Ela deve responder por organização criminosa, tortura, lavagem e corrupção de menores.

Reprodução

 Rhavenna Barcelos de Almeida (no meio) e as crianças segurando armas de fogo de alto calibre

Fotos obtidas pelo mostram o menor, de camisa branca, com um fuzil em mãos. A arma de alto calibre tem um adesivo do Comando Vermelho. A fotografia foi tirada no mesmo lugar onde Rhavenna e a mãe também posaram com armas da facção criminosa.

A investigação da GCCO também identificou foto de outra criança segurando uma arma de facção. O menino, de camisa vermelha, seria filho do pastor Ulisses Batista, vulgo “Velho Ulisses”, que foi alvo da Operação Falso Profeta, deflagrada em março do ano passado pela Polícia Civil.

O religioso apontado como mentor do Projeto Água e que atuava como pastor sênior em uma igreja no bairro Pedra 90, em Cuiabá, recebia quantias vultuosas de pessoas jurídicas fraudulentas. Posteriormente, os valores eram passados para integrantes da facção, um deles morador da cidade de Duque de Caxias, no Rio de Janeiro.

Reprodução

No detalhe, o pastor Ulisses Batista foragido desde março de 2025

Operação Fariseus

Segundo a Polícia Civil, a investigação mostrou que os membros da família usavam o acesso a unidades prisionais para manter contato com presos, intermediar recados, aproximar familiares e lideranças criminosas, movimentar recursos financeiros e prestar apoio logístico e comunicacional à organização.

Pastores, e várias “missionárias” de um grupo religioso foram alvos de medidas cautelares diversas de prisão sendo eles: Orminda Carlos de Barcelos Almeida e Nivaldo de Almeida, pais de Rhavenna; Jéssi Mariane Araújo dos Anjos; Karolina Lopes Padilha; Wiara Lima Cadore; e Lais Barbosa Lopes. Eles também estão impedidos de ingressem em unidades prisionais de Mato Grosso para projetos religiosos.

Conforme já publicado, as mulheres ligadas ao projeto religioso integravam um grupo que realizava viagens ao Rio de Janeiro, frequentava áreas dominadas pela facção criminosa e mantinha relacionamentos pessoais e íntimos com integrantes da organização, sendo parte dessas viagens custeada pelos próprios criminosos.

Reprodução

Orminda Carlos de Barcelos Almeida e Nivaldo de Almeida, pais de Rhavenna, e Jonas Souza Gonçalves Junior, vulgo “Batman” 

Dessas viagens, há registros fotográficos e audiovisuais de integrantes do grupo religioso em meio a fuzis, pistolas, revólveres, carabinas e rádios comunicadores, alguns personalizados com referências à organização criminosa.

As imagens mostram evangelistas ao lado de lideranças da facção, foragidos da Justiça e pessoas responsáveis pela segurança armada dos líderes. Também foram encontrados registros de crianças portando armamentos personalizados e fotografias dos próprios investigados manipulando diferentes armas de fogo.

Além das viagens, também há indícios de custeio de procedimentos estéticos e aquisição de veículos em benefício de integrantes do grupo, evidenciando, em tese, a prática de lavagem de dinheiro mediante ocultação da origem e da destinação dos recursos.

As conversas analisadas pela polícia indicaram que integrantes do núcleo familiar intermediavam contatos com presos e mantinham comunicação direta com internos por telefone. Em um dos episódios, uma investigada solicitou a aplicação de um “salve” contra um homem acusado de furto.

A investigação identificou ainda diálogos relacionados à venda de uma arma de fogo que estaria escondida em uma propriedade rural utilizada pela família. O fato foi analisado em conjunto com as fotografias de armamentos e os demais registros de convivência com integrantes armados da facção.

Os elementos reunidos indicam que o grupo investigado extrapolou os limites da assistência religiosa e estabeleceu vínculos pessoais, comunicacionais e financeiros com presos, foragidos e lideranças da organização criminosa. O grau de participação e a extensão da cooperação prestada por cada investigado ainda estão sendo individualizados no decorrer das investigações.

Continuidade das investigações

O trabalho investigativo prossegue com a análise do material apreendido, o rastreamento dos valores movimentados e a individualização das condutas, com o objetivo de concluir o inquérito policial e promover o eventual indiciamento dos envolvidos.

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Fonte: RD News