
VANESSA MORENO
KARINE ARRUDA
DO REPÓRTERMT
O advogado Elson Marcelino da Silva Júnior, responsável pela defesa do réu Carlos Alberto Gomes Bezerra, conhecido como Carlinhos Bezerra, abandonou o julgamento pelo Tribunal do Júri, que teve início às 9h desta terça-feira (21), no Fórum de Cuiabá. Ele e outros dois advogados se recusaram a continuar na sessão, alegando que não tiveram tempo hábil para analisar os autos.
Com isso, a juíza da 1ª Vara Criminal de Cuiabá, Mônica Catarina Perri, que preside a sessão, remarcou o julgamento para o dia 31 de julho.
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Na ocasião, o réu foi intimado a nomear outro advogado. Caso não constitua uma nova defesa, a Defensoria Pública assumirá o caso.
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Filho do ex-governador e ex-deputado federal Carlos Bezerra (MDB), Carlinhos Bezerra é acusado de assassinar a ex-namorada, Thays Machado, e o então namorado dela, Willian Moreno.
O crime ocorreu no dia 18 de janeiro de 2023, em frente ao edifício Solar Monet, no bairro Consil, em Cuiabá.
Ele foi preso no mesmo dia do crime, em uma fazenda da família, no município de Campo Verde.
As investigações apontaram que, antes do duplo homicídio, Carlinhos monitorava a ex-namorada e tinha informações detalhadas sobre seus deslocamentos. Foram encontrados 71 registros de localização de lugares frequentados pela vítima. Ele fazia o download no celular e, depois, imprimia os dados de geolocalização. Além disso, os programas teriam sido instalados ainda durante o relacionamento.
Thays Machado já havia registrado boletim de ocorrência contra Carlinhos e, segundo a polícia, o crime ocorreu quando ela estava no prédio para devolver o carro que havia emprestado da mãe para buscar o namorado no aeroporto.
Em novembro do mesmo ano, Carlinhos chegou a obter o benefício da prisão domiciliar por decisão do Tribunal de Justiça, em razão de problemas de saúde apresentados pela defesa. A medida permitia que ele permanecesse em casa, monitorado por tornozeleira eletrônica e submetido a uma série de restrições, entre elas a proibição de sair da residência sem autorização judicial e a obrigação de apresentar relatórios médicos periódicos sobre seu estado de saúde.
No entanto, em fevereiro de 2024, o Ministério Público pediu a revogação da prisão domiciliar após apontar que Carlinhos teria descumprido as condições impostas pela Justiça.
Relatórios do monitoramento eletrônico registraram deslocamentos para diversos locais não autorizados, incluindo um passeio em Rondonópolis acompanhado de seguranças, além de outras saídas incompatíveis com a medida cautelar.
O MP também sustentou que os laudos médicos apresentados não demonstravam um quadro de extrema debilidade que justificasse a permanência em prisão domiciliar.
Ao analisar o caso, a Justiça concluiu que os requisitos para manter o benefício deixaram de existir e que as doenças apresentadas eram passíveis de tratamento no sistema prisional.
Desde então, a defesa do acusado apresentou uma série de recursos com o objetivo de adiar a realização do julgamento, mas sofreu sucessivas derrotas na Justiça em todas as instâncias.
Inicialmente, a sessão estava marcada para o dia 7 de julho, porém foi adiada para esta terça-feira, a pedido de Elson Marcelino da Silva Júnior, que alegou a necessidade de analisar materiais produzidos durante a investigação.
Fonte: Repórter MT




