
Abramilho
A colheita do milho da safra 2025/26 alcançou 78,92% da área cultivada em Mato Grosso até sexta-feira, 17 de julho. O avanço foi de 18,88 pontos percentuais em apenas uma semana, segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), e confirmou a aceleração dos trabalhos no campo.
O Médio-Norte chegou a 92,74% da área colhida. No Nordeste, as máquinas alcançaram 80,18%, enquanto o Centro-Sul atingiu 70,55%. O ritmo mais forte reduz a permanência do grão nas lavouras, mas amplia a pressão sobre armazéns, estradas e unidades de recebimento.
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O desafio ganhou dimensão maior com a nova projeção de safra recorde. O Imea estima que Mato Grosso deverá produzir cerca de 57 milhões de toneladas de milho neste ciclo. A entrada de um volume tão elevado em poucas semanas exige capacidade de armazenagem e escoamento justamente quando parte da soja ainda ocupa estruturas no estado.
O aumento da oferta também limita a reação dos preços. Em junho, o valor médio negociado ficou em R$ 43,10 por saca, alta mensal de 0,87%. No mercado disponível, a referência estadual chegou a R$ 41,20 por saca na sexta-feira, 17 de julho, apesar da valorização semanal de 1,45%. A proximidade dos valores mostra que o avanço da colheita mantém o comprador em posição confortável para negociar.
A comercialização da safra atual atingiu 51,66% da produção estimada ao fim de junho, após avanço mensal de 7,17 pontos percentuais. O índice ficou 1,89 ponto acima do registrado no mesmo período do ciclo anterior. A necessidade de abrir espaço e garantir fluxo de caixa contribuiu para que os produtores ampliassem as vendas mesmo diante de preços pressionados.
Para a temporada 2026/27, os negócios seguem mais lentos. Os agricultores comprometeram 7,90% da produção projetada, avanço de 3,44 pontos percentuais no mês. O preço médio dos contratos futuros recuou 1,38% e ficou em R$ 44,76 por saca, reduzindo a disposição para novas fixações.
Na prática, o produtor precisa decidir entre vender durante o pico de oferta, aceitar custos de armazenagem ou recorrer a estruturas externas. Cada alternativa reduz uma parte da margem e torna o planejamento logístico tão importante quanto a produtividade alcançada no campo.
Com quase quatro quintos da área já colhidos, o foco do setor deixa de ser apenas a velocidade das máquinas. O resultado econômico dependerá da capacidade de armazenar, transportar e negociar o recorde sem aprofundar a pressão sobre as cotações. A safra volumosa fortalece a produção estadual, mas cobra eficiência logística para que quantidade também se transforme em renda.
Fonte:Estadão MT




