A Polícia Civil de Mato Grosso concluiu, nesta segunda-feira (27), dois inquéritos que resultaram no indiciamento do professor da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e maestro Oliver Yoshio Umeda Yatsugafu, de 47 anos, pelos crimes de assédio sexual e constrangimento ilegal contra três mulheres ligadas a atividades acadêmicas e musicais na instituição. As investigações, conduzidas pela Delegacia Especializada de Defesa da Mulher (DEDM), foram encaminhadas ao Ministério Público e ao Poder Judiciário para análise e adoção das medidas cabíveis.
O primeiro inquérito investigou uma denúncia de assédio sexual apresentada por uma estudante de música, de 21 anos, que participava de um projeto de extensão coordenado por Oliver Yoshio Umeda Yatsugafu.
Durante as investigações, familiares, colegas da vítima e outras pessoas ligadas ao ambiente universitário prestaram depoimento. Segundo a Polícia Civil, os relatos reforçaram o abalo emocional sofrido pela estudante e apontaram comportamentos considerados invasivos e abordagens diferenciadas atribuídas ao professor.
Em depoimento, Oliver Yoshio Umeda Yatsugafu negou as acusações. Apesar da negativa, a investigação concluiu haver elementos suficientes para o indiciamento, em tese, pelo crime de assédio sexual, previsto no artigo 216-A do Código Penal.
O segundo inquérito apurou um episódio ocorrido em novembro de 2025, quando duas musicistas, de 23 e 39 anos, foram chamadas pelo professor para uma reunião antes de um ensaio realizado no Departamento de Artes da UFMT.
Conforme a investigação, durante o encontro o docente teria solicitado que as duas mulheres intercedessem junto à estudante vítima do primeiro caso para convencê-la a retornar às atividades do projeto musical.
Ainda de acordo com os autos, em determinado momento Oliver Yoshio Umeda Yatsugafu teria se colocado em frente à porta da sala, impedindo que as duas deixassem o local. A restrição da liberdade teria durado aproximadamente três minutos.
Após conseguirem sair, as musicistas procuraram abrigo em outro espaço da universidade, onde foram encontradas nervosas e emocionalmente abaladas.
O professor também negou essa acusação, afirmando que a reunião tratava apenas de assuntos relacionados ao projeto musical e que não impediu a saída das mulheres.
Ao concluir o segundo procedimento, a Delegacia Especializada de Defesa da Mulher entendeu que havia indícios suficientes para indiciar o docente pelo crime de constrangimento ilegal, previsto no artigo 146 do Código Penal.
Os dois inquéritos foram remetidos ao Ministério Público e ao Poder Judiciário, que irão analisar as provas reunidas pela Polícia Civil e decidir sobre as providências legais.
Segundo a corporação, o inquérito referente ao suposto crime de assédio sexual foi protocolado em 28 de janeiro de 2026, enquanto o procedimento que investigou o caso de constrangimento ilegal foi encaminhado em 22 de junho de 2026.
Oliver Yoshio Umeda Yatsugafu foi ouvido durante as investigações e negou todas as acusações. O indiciamento representa a conclusão da fase policial e não significa condenação. Caberá ao Ministério Público decidir sobre eventual oferecimento de denúncia à Justiça.




