
O empresário Carlos Alberto Gomes Bezerra, o Carlinhos Bezerra, perseguia a ex-namorada Thays Machado desde o início do relacionamento e monitorava sistematicamente a localização dela, sabendo onde a vítima estava e o que fazia, o que pode levar a crer que o réu teria premeditado o crime. A afirmação foi feita pelo delegado Marcel Gomes de Oliveira, que, à época dos fatos, era titular da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e responsável pelo inquérito do caso. Marcel foi o primeiro a depor no julgamento, iniciado na manhã desta sexta-feira (31), em Cuiabá. Carlinhos é réu pelas mortes de Thays e do namorado dela, Willian César Moreno, ocorridas em 2023.
Rodrigo Moura/Montagem
Segundo Marcel, a perícia realizada no computador de Carlinhos, apreendido no escritório dele, encontrou mais de 40 pontos de geolocalização de Thays, além de prints impressos dessas localizações, o que comprovou que Bezerra tinha conhecimento sobre toda a rotina da vítima.
Marcel relata ainda que, durante a apuração dos fatos, uma das amigas de Thays contou sobre o dia em que a vítima e o réu terminaram o relacionamento, momento em que Thays saiu para uma balada em Cuiabá e Carlinhos, em posse de sua localização, foi até o local para confrontá-la. Ao delegado, a testemunha afirmou que, na data, enquanto Thays deixava o lugar, Carlinhos chegou a tentar atropelar a vítima.
O delegado pontuou ainda que, além da geolocalização, foram localizadas escutas no escritório de Carlinhos, material que à época foi apreendido, pois teria sido utilizado também como uma forma de perseguição e controle por parte do empresário contra a ex-namorada.
Perseguição e crime premeditado
De acordo com o delegado, no réveillon de 2023, dias antes do crime, Thays teria percebido que estava sendo perseguida por Carlinhos e chegou a confrontar o empresário, que respondeu com agressividade, novamente questionando onde e com quem ela estava e chegando a xingar a vítima.
Montagem
Marcel destacou que o relacionamento entre Thays e Carlinhos já era problemático e não melhorou após o término. Segundo o delegado, a vítima chegou a sugerir que ela e o réu fossem amigos e pediu insistentemente para que ele parasse de persegui-la, mas sem sucesso. Thays teria bloqueado o número de Carlinhos, que comprou diversos outros chips para poder continuar mantendo o contato.
A partir das provas coletadas durante o inquérito, Marcel constatou a dinâmica de crime premeditado. O delegado levou em consideração ainda o fato de que Carlinhos sabia que Thays estava no aeroporto e posteriormente na casa de sua mãe.
Relembre o crime
Reprodução
A ex-namorada de Carlinhos, Thays Machado, e o namorado dela, William César Moreno, foram mortos a tiros na tarde do dia 18 de janeiro de 2023, no bairro Consil, próximo à Avenida Historiador Rubens Mendonça (Avenida do CPA), em Cuiabá. Thays estava em frente ao Edifício Residencial Monet, onde a mãe dela morava, para entregar uma chave à genitora. William a acompanhava.
Conforme publicado, Thays estava em um relacionamento com Willian há cerca de um mês quando, na madrugada do dia do crime, ela foi ao aeroporto para buscar o atual namorado. Na data, os dois teriam sido abordados por Carlinhos, que os ameaçou com uma arma de fogo.
Ela ligou para o 190 e denunciou a situação. Na ligação, ela foi orientada a procurar a Delegacia da Mulher e foi solicitado que entrasse em contato, “caso fosse necessário”. De acordo com as investigações, Thays não procurou a Delegacia da Mulher para formalizar a denúncia e pedir medida protetiva.
Um pouco mais tarde, por volta das 17h daquele dia, ela e Willian Moreno foram assassinados na calçada do edifício onde a mãe de Thays morava.
Horas depois, Carlinhos foi preso em uma chácara da família e, durante interrogatório na Polícia Civil, confessou o crime. Ele argumentou que sofre de diabetes e que estava em “estágio de neuropatia”, o que lhe causou o desequilíbrio emocional e que isso teria motivado o crime.
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Fonte: RD News




