PF aponta segunda cadeia de fundos e liga estrutura a Fábio Garcia e Mauro Carvalho Júnior » Esportes & Notícias

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A Polícia Federal identificou uma segunda cadeia de fundos de investimento que teria sido utilizada na movimentação dos recursos provenientes do acordo entre o Governo de Mato Grosso e a Oi S.A. Segundo a decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), essa estrutura estaria relacionada ao núcleo investigado que envolve o deputado federal Fábio Garcia e Mauro Carvalho Júnior.

A chamada “cascata Lotte Word FIDC” teria recebido aproximadamente R$ 154 milhões, correspondentes a metade do valor de R$ 308,1 milhões previsto no acordo. O documento aponta que o Lotte Word tinha entre seus cotistas Fernando Robério de Borges Garcia, pai de Fábio Garcia, além do fundo Golden Bird.

O Golden Bird aparece na investigação como uma peça de intermediação. Segundo a Polícia Federal, os direitos creditórios teriam sido inicialmente transferidos para esse fundo antes de seguirem para outras estruturas, criando camadas intermediárias na circulação dos recursos. O fundo seria controlado por Roberto Ferreira de Moura Braga Júnior, apontado pelos investigadores como operador ligado à família Garcia.

A estrutura ainda envolveria o Geonix 95 FIM, que, conforme os elementos apresentados ao STF, teria sido utilizado para capitalizar o Golden Bird na aquisição dos créditos. A composição do fundo incluiria pessoas relacionadas ao núcleo familiar de Fábio Garcia, inclusive sua mãe, segundo a decisão. O Silver Bird FIDC, criado posteriormente a partir de uma cisão do Golden Bird, também aparece na arquitetura investigada.

Outro ponto considerado relevante pela Polícia Federal é a ligação entre os dois núcleos investigados. O Venture Finance FIDC teria funcionado como uma espécie de ponto de convergência entre as estruturas associadas às famílias Mendes e Garcia. De acordo com a decisão, o fundo tinha entre seus cotistas o GS Heritage FIP, vinculado aos filhos de Mauro Mendes, e o Coliseu FIC FIDC, controlado, em última instância, por integrantes da família de Fábio Garcia. A estrutura teria recebido R$ 33 milhões.

Na avaliação da investigação, as operações chamaram atenção porque diversos fundos foram criados ou movimentados rapidamente, com aportes destinados inicialmente aos próprios custos de constituição e manutenção. A Polícia Federal não teria identificado, segundo a decisão, justificativa econômica aparente para a sucessão de operações entre os veículos financeiros. Ao final do percurso, os recursos teriam sido transformados em investimentos privados de baixa liquidez em empresas relacionadas às famílias investigadas, entre elas a Parecis Bioenergia e a Hotéis Global.

O ministro Flávio Dino ressalta que a investigação ainda não chegou a uma conclusão definitiva sobre os crimes ou a responsabilidade individual dos envolvidos. A decisão trata os fatos como hipóteses investigativas sustentadas por indícios e autoriza diligências para aprofundar a apuração, identificar o destino dos recursos e confirmar ou afastar as suspeitas apresentadas pela Polícia Federal.

Fonte: Esporte e Notícias