
Foto-Reprodução-Web
A produtora rural Julinere Goulart Bentos, presa sob a acusação de ser a mandante do assassinato do advogado Renato Nery, ingressou com um novo pedido de habeas corpus no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) para tentar obter liberdade provisória. Em petição formalizada nesta terça-feira (15), o advogado Rodrigo Vares, responsável por sua defesa, argumentou que a cliente enfrenta constrangimento ilegal decorrente do prolongamento indevido de sua detenção. Além do atraso judicial, a defesa destacou os impactos negativos da ausência materna sobre a saúde emocional da filha adolescente da ré.
Segundo o recurso, há um excesso de prazo injustificado no andamento da ação penal, atribuído exclusivamente a omissões do aparato estatal após a decisão de pronúncia. Julinere está presa preventivamente desde maio de 2025, e a sentença que a enviou ao Tribunal do Júri foi proferida em 6 de maio deste ano. A defesa apresentou as razões do Recurso em Sentido Estrito (Rese) em 21 de maio de 2026 e sustenta que “não havia qualquer providência defensiva pendente capaz de justificar a demora posterior”.
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O pedido de soltura volta a apoiar-se no quadro de agravamento psicológico da filha menor de idade, comprovado por laudos médicos anexados aos autos. Diante disso, a defesa requereu a revogação da prisão preventiva ou sua substituição por medidas cautelares alternativas, com base no princípio constitucional da duração razoável do processo. O advogado contestou ainda a reabertura de etapas processuais já concluídas, ocorrida após a inclusão tardia das filhas da vítima como assistentes de acusação.
O novo desdobramento da defesa de Julinere ocorre em meio a avanços significativos e movimentações decisivas no processo do assassinato de Renato Nery:
Condenação do atirador (Julho de 2026): Há cerca de dois meses, em 15 de julho de 2026, o Tribunal do Júri de Cuiabá condenou o executante do crime, Alex Roberto de Queiroz Silva, a 33 anos de prisão por homicídio qualificado, fraude processual e organização criminosa. Durante o julgamento, Alex confessou ter atirado no advogado, mas sustentou que agiu motivado por dívidas com agiotas e sem ter contato direto com os mandantes.
Rastreamento financeiro e confirmação da autoria intelectual: O Ministério Público e a Polícia Civil rebateram a versão do executor. Em depoimentos prestados à Justiça no período do júri, investigadores da Homicídios (DHPP) reafirmaram a “certeza absoluta” sobre o papel de Julinere e de seu ex-companheiro, Cesar Sechi, como autores intelectuais, destacando a comprovação de transferências financeiras fracionadas que somaram mais de R$ 200 mil para remunerar os envolvidos na execução.
Julgamento dos demais réus: Além do casal de produtores rurais, três policiais militares da Rotam (Jackson Pereira Barbosa, Ícaro Nathan Santos Ferreira e Heron Teixeira Pena Vieira) continuam detidos e aguardam o julgamento perante o Tribunal do Júri, acusados de articular a logística do crime, providenciar a arma e intermediar os pagamentos.
O Crime
O ex-procurador-geral da OAB-MT, Renato Gomes Nery, então com 72 anos, foi executado a tiros em julho de 2024 ao chegar ao seu escritório, na Avenida Fernando Corrêa da Costa, em Cuiabá. De acordo com a denúncia do Ministério Público, o crime foi motivado por uma disputa judicial envolvendo a Fazenda Atlântida, em Novo São Joaquim, avaliada em R$ 70 milhões, em que Nery obteve decisão favorável contrária aos interesses de Julinere e Cesar Sechi.
Fonte: Click F5





