Trio é condenado a 68 anos pela morte de advogado Roberto Zampieri

PUBLICIDADE

Reprodução

Antônio Gomes da Silva, Hedilerson Fialho Martins Barbosa e Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas foram condenados pelo Tribunal do Júri de Cuiabá pela morte do advogado Roberto Zampieri. Após três dias de julgamento, encerrado na noite desta quinta-feira (1º), os sete jurados consideraram os três culpados pelo homicídio qualificado.

Antônio foi condenado a 21 anos, 10 meses e 15 dias de prisão; Hedilerson, a 25 anos; e Caçadini, a 21 anos, 10 meses e 15 dias. As penas somam 68 anos, 9 meses e 30 dias. Os três permanecerão presos, com início do cumprimento em regime fechado, e não poderão recorrer em liberdade.

– FIQUE ATUALIZADO: Siga nossas redes sociais e receba informações em tempo real (WhatsApp, Telegram e Instagram)

O júri foi realizado pela segunda vez. O primeiro julgamento começou em julho, mas precisou ser interrompido depois que um dos jurados apresentou problemas de saúde, levando à dissolução do Conselho de Sentença. Um novo grupo de jurados foi formado e o julgamento precisou ser retomado desde o início.

Durante os três dias, foram ouvidas testemunhas, delegados responsáveis pela investigação e os três réus. A acusação sustentou que Zampieri foi vítima de uma execução planejada, motivada por uma disputa envolvendo uma propriedade rural avaliada em cerca de R$ 100 milhões.

Antônio, apontado como executor, confessou ter matado Zampieri. No interrogatório, afirmou que recebeu uma fotografia da vítima ainda em Belo Horizonte, antes de viajar para Mato Grosso, mas não revelou quem enviou a imagem. Ele disse ter agido por conta própria, motivado pela convicção de que Zampieri era corrupto, e chegou a afirmar que mataria novamente caso recebesse uma nova “missão”.

Durante julgamento, a defesa dele tentou solicitar um exame de sanidade mental, mas foi negado pelo juíz presidente. 

Hedilerson negou participação no assassinato e afirmou que Antônio pegou escondida a pistola utilizada no crime. Ele disse ter sido enganado pelo executor e declarou aos jurados: “O Antônio mentiu pra mim, me traiu”. A investigação, porém, apontou que a arma pertencia a Hedilerson e que ela foi levada de Minas Gerais para Mato Grosso no dia do assassinato.

Já Caçadini negou ter participado da execução. Durante o interrogatório, chegou a chorar ao explicar mensagens relacionadas ao crime. Uma delas, segundo a investigação, foi enviada por Hedilerson após a morte de Zampieri com a frase “Coronel, missão cumprida!”. A acusação utilizou a conversa para sustentar a ligação entre os envolvidos.

Outro elemento apresentado aos jurados foram mensagens recuperadas dos celulares dos investigados. Em uma conversa analisada pela investigação, Antônio teria respondido “Quando morre sim” ao ser questionado se iria “parar”, trecho usado pelo Ministério Público para sustentar a atuação dele como executor.

A acusação também apresentou aos jurados depoimentos sobre a preparação do crime. Uma secretária do escritório de Zampieri relatou que Antônio frequentou o local praticamente todos os dias durante semanas antes do assassinato. Segundo ela, ele se apresentava como capelão interessado na compra de uma fazenda e chegou a usar bengala e boina para não levantar suspeitas.

Na sustentação, o Ministério Público defendeu a condenação dos três e apresentou mensagens, laudos e dados extraídos dos aparelhos celulares para sustentar a divisão de tarefas entre os acusados. As defesas, por outro lado, contestaram a interpretação das provas e negaram a participação de Hedilerson e Caçadini no planejamento do homicídio.

A morte

Roberto Zampieri foi assassinado com dez tiros em 5 de dezembro de 2023, quando estava dentro do próprio veículo, próximo ao escritório onde trabalhava, no bairro Bosque da Saúde, em Cuiabá.

Segundo a investigação acolhida na denúncia, o crime teria relação com uma disputa judicial e agrária envolvendo a Fazenda Lagoa Azul, avaliada em aproximadamente R$ 100 milhões. Antônio foi apontado como executor; Hedilerson, como responsável pelo fornecimento da arma e apoio à execução; e Caçadini, como responsável pela intermediação e pelo repasse de valores.

Além da investigação sobre o assassinato, o celular de Zampieri revelou conversas que deram origem a uma investigação sobre suspeitas de negociação de decisões judiciais envolvendo integrantes do Judiciário. O conteúdo contribuiu para a Operação Sisamnes, conduzida pela Polícia Federal.



Fonte:Estadão MT