Wenderson Araujo | Trilux
As exportações de milho de Mato Grosso perderam ritmo no início da safra 2025/26 e acenderam um ponto de atenção para o escoamento do cereal nos próximos meses. Entre julho e setembro de 2026, o estado embarcou 7,61 milhões de toneladas, volume 21,44% inferior ao registrado no mesmo período da safra anterior.
Somente em setembro, Mato Grosso exportou 2,85 milhões de toneladas de milho. O volume ficou 32,07% abaixo do registrado em setembro de 2025 e 19,01% inferior à média observada nos últimos cinco anos. Segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), a retração está relacionada ao aumento da concorrência no mercado internacional.
Nos Estados Unidos, a oferta elevada e os estoques mais altos pressionaram as cotações e ampliaram a competitividade do produto norte-americano. Na Argentina, uma safra recorde, somada à redução das retenções, aumentou a disponibilidade do cereal para exportação. Esse cenário elevou a disputa pelos principais mercados compradores e reduziu o espaço do milho mato-grossense no comércio externo.
A desaceleração dos embarques ocorre em um momento de ampla disponibilidade do cereal no mercado interno. Na última semana analisada pelo Imea, o contrato corrente do milho na B3 recuou 4,39%, para R$ 69,70 por saca. O indicador Cepea Campinas caiu 2,42%, para R$ 67,23 por saca, enquanto o indicador do Imea ficou em R$ 47,74 por saca, retração semanal de 2,83%.
A queda do dólar também pressionou os preços e a paridade de exportação. A moeda norte-americana apresentou baixa de 4,21% na comparação semanal, com média de R$ 4,99. Já a paridade de exportação para julho de 2027 recuou 9,95%, para R$ 39,50 por saca.
No mercado interno, a comercialização da safra 2025/26 chegou a 80,23% da produção em setembro, avanço de 5,60 pontos percentuais no mês e 2,64 pontos acima do observado em setembro do ano passado. Apesar do avanço, as negociações seguem graduais, afetadas pela menor atuação compradora das indústrias e pela reduzida necessidade de recomposição imediata dos estoques.
Para a safra 2026/27, 19,79% da produção projetada já havia sido negociada até setembro. O avanço mensal foi de 3,83 pontos percentuais, mas o Imea aponta cautela entre os produtores diante da dificuldade para ampliar investimentos e do ritmo mais lento de aquisição de insumos em relação a 2025.
O comportamento dos preços reforça a pressão sobre o produtor em um momento em que grande parte da safra ainda precisa encontrar destino. O preço médio do milho em Mato Grosso ficou em R$ 47,57 por saca em setembro, queda de 7,84% frente ao mês anterior. A combinação de demanda externa mais fraca, menor presença das indústrias nas compras e oferta elevada limita a sustentação das cotações.
A janela de exportação será decisiva para o equilíbrio do mercado estadual. O Imea destaca que o principal período de escoamento se concentra até janeiro de 2027, antes do avanço da nova safra de soja e do aumento da disputa pela estrutura logística. Caso os embarques não ganhem força, o menor escoamento poderá resultar em estoques maiores ao fim do ciclo.
Fonte:Estadão MT




