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Vereador relaxa em chácara enquanto drone do Gaeco monitora encontro suspeito em VG

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Reprodução

O que parecia ser um encontro tranquilo entre vereadores de Várzea Grande, em uma chácara no Distrito da Guia, estava sendo acompanhado do alto por investigadores do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco). Com auxílio de um drone, os agentes registraram a movimentação dos parlamentares durante um período de confinamento político que antecedeu a eleição da Mesa Diretora da Câmara Municipal, em maio deste ano.
As imagens, anexadas ao procedimento do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), mostram o vereador Braz Jaciro (PSDB) sentado confortavelmente em uma cadeira, de pernas cruzadas, usando camiseta e short brancos, aparentemente relaxado à sombra das árvores. Em outro registro, Miguel Júnior (Cidadania) aparece de camiseta cinza e short branco, acompanhado de outras pessoas na área externa da propriedade.
O monitoramento começou após o Gaeco receber uma denúncia anônima sobre uma suposta articulação para garantir a permanência de Wanderley Cerqueira (MDB) na presidência da Câmara. Segundo o relato, mais de dez vereadores teriam se reunido na chácara em 13 de maio, véspera da votação, e dinheiro em espécie estaria sendo utilizado para negociar apoio político. A denúncia também mencionava a presença de homens armados no local.
Durante as diligências, os investigadores identificaram veículos vinculados a outros parlamentares, incluindo um Ford Ranger associado ao vereador Emérson Cezar de Campos Magalhães e um Fiat Toro ligado a Denival Rodrigues Galibert. Um Toyota Corolla Cross registrado em nome de Miguel Júnior também foi fotografado na propriedade. O relatório de inteligência destacou a intensa movimentação de pessoas e automóveis na área rural.
O encontro ocorreu em meio à disputa entre Wanderley Cerqueira e Lucas do Chapéu do Sol (PL) pelo comando do Legislativo no biênio 2027/2028. Na eleição realizada em maio, Wanderley venceu por apenas um voto, conquistando 12 apoios contra 11 do adversário. Posteriormente, o Supremo Tribunal Federal (STF) anulou a votação por considerar que ela havia sido realizada de forma antecipada.
As suspeitas deram origem à Operação Cathedra Venalis, deflagrada nesta terça-feira (20), com cumprimento de mandados de busca e apreensão em Cuiabá, Várzea Grande e Chapada dos Guimarães. Ao todo, 13 vereadores de Várzea Grande e dois de Cuiabá estão entre os investigados. O Gaeco apura possíveis crimes relacionados à negociação de votos e vantagens indevidas, além de suspeitas de articulações para interferir na administração municipal e promover um processo de cassação da prefeita Flávia Moretti (PL).
Apesar das imagens registrarem a presença dos parlamentares na chácara, os registros fotográficos não comprovam, por si só, a ocorrência de compra de votos. A investigação busca esclarecer o que aconteceu durante o encontro e identificar eventuais responsabilidades.



Fonte:Estadão MT