Francisley Campos Carolino foi preso nesta terça-feira (20); investigação também envolve denúncias de pressão sobre a vítima e possível interferência na produção de provas. Defesa contesta a necessidade da prisão.
O servidor da Empresa Mato-grossense de Tecnologia (MTI), Francisley Campos Carolino, acusado de assédio e importunação sexual contra uma colega de trabalho, foi preso na manhã desta terça-feira (20), em Cuiabá. A previsão era de que ele passasse por audiência de custódia ainda durante a tarde.
O caso envolve denúncias de violência sexual no ambiente profissional, supostas tentativas de intimidação e questionamentos sobre o cumprimento de medidas protetivas concedidas pela Justiça à vítima.
A denúncia inicial foi formalizada em 1º de outubro de 2025, por meio da ouvidoria da MTI, e deu origem a procedimentos internos e judiciais.
VÍTIMA TERIA SOFRIDO PRESSÃO DURANTE INVESTIGAÇÃO
A servidora, que ocupava um cargo comissionado, foi desligada da empresa em 3 de março de 2026, após procedimentos administrativos internos. A medida foi contestada judicialmente, e a Justiça do Trabalho impediu o desligamento.
Mesmo após o início das investigações, a mulher relatou novos episódios de pressão.
Segundo o boletim de ocorrência, em 12 de agosto, Francisley e outra mulher compareceram ao local de trabalho da vítima para entregar um documento que ela teria sido pressionada a assinar.
De acordo com a denúncia, o conteúdo da declaração buscaria afastar a responsabilidade do investigado e interferir na produção de provas.
O episódio teria ocorrido mesmo após a concessão de medidas protetivas à servidora, em 15 de julho.
Uma gerente da empresa interveio para proteger a funcionária e preservou imagens das câmeras de segurança que registraram a situação.
No registro policial, a vítima apontou suspeitas de coação no curso do processo, tentativa de obstrução da Justiça e manipulação de provas.
O boletim também menciona episódios de insistência, monitoramento e pressão no ambiente corporativo.
Além disso, uma pessoa ligada ao investigado teria realizado ligações e enviado mensagens a uma testemunha antes do episódio, tentando estabelecer contato.
O caso foi encaminhado à Delegacia Especializada de Defesa da Mulher de Cuiabá.
JUSTIÇA RECONHECEU INDÍCIOS DE VIOLÊNCIA DE GÊNERO
Em decisão proferida no dia 20 de agosto, o desembargador Tacísio Regis Valente, do Tribunal Regional do Trabalho da 23ª Região (TRT-23), destacou a existência de elementos indicativos de violência de gênero no ambiente profissional.
A decisão também considerou os problemas de saúde psicológica apresentados pela vítima, incluindo transtorno de pânico, ansiedade generalizada e transtorno de adaptação.
Diante da situação, o magistrado impediu seu desligamento e determinou a manutenção dos vencimentos.
A medida levou em consideração o risco de revitimização, a necessidade de garantir a subsistência da trabalhadora e a continuidade do tratamento de saúde.
DEFESA NEGA INTIMIDAÇÃO E QUESTIONA PRISÃO
Antes da prisão, a defesa de Francisley apresentou manifestação judicial contestando o pedido de prisão preventiva formulado pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT).
A advogada argumentou que a entrega de um documento a uma testemunha não teve caráter intimidatório, mas a finalidade de permitir que ela relatasse o que teria presenciado durante um dos episódios investigados.
A defesa reconheceu que o investigado solicitou a entrega presencial, mas afirmou que a iniciativa não havia sido previamente autorizada pela advogada, que discordou da maneira como ocorreu.
Também destacou que a testemunha já havia prestado depoimento à Polícia Civil e declarado não ter presenciado os supostos toques ou comentários sexuais. Entretanto, a própria testemunha ressaltou que utilizou o celular durante parte do trajeto e, por isso, não poderia assegurar que observou todos os acontecimentos.
A defesa sustenta que eventual descumprimento de medida cautelar não determina automaticamente a prisão preventiva e solicita a análise de medidas alternativas.
Também foi requerida a avaliação de imagens das câmeras externas da empresa Log Lab, registradas em 12 de agosto, para esclarecer as circunstâncias da entrega do documento.
PRISÃO E INVESTIGAÇÕES
Com a prisão realizada nesta terça-feira (20), Francisley deverá ser apresentado à Justiça para audiência de custódia, procedimento no qual será analisada a legalidade da prisão e a necessidade de sua manutenção.
O caso permanece sob apuração das autoridades competentes. As acusações ainda dependem da conclusão dos procedimentos judiciais, sendo garantidos ao investigado o direito à defesa e a presunção de inocência.
A MTI foi procurada pela reportagem responsável pelas informações, mas não havia apresentado manifestação até a publicação original. O espaço permanece aberto para esclarecimentos.




