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Trio de advogados é alvo da Polícia Civil por forjar decisão para trazer ‘Miro Louco’ a MT |

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Os advogados Pabline Mayara Barbosa Belfort Medeiros, Gerson Tomé Trevisol e Felipe Augusto Dorileo de Rezende foram os principais alvos da Operação Reescrita, deflagrada na manhã desta quarta-feira (28) pela Polícia Civil de Mato Grosso. A ação investiga um esquema sofisticado de falsificação de documentos judiciais com o objetivo de beneficiar um integrante de alta cúpula de facção criminosa.

 

Ao todo, foram cumpridos quatro mandados de busca e apreensão em Cuiabá (a 234 Km de Primavera do Leste)— incluindo endereços residenciais e um escritório de advocacia localizado na Avenida Marechal Deodoro. Os investigados responderão pelos crimes de falsificação de documento público, uso de documento falso e integração em organização criminosa. O cumprimento das ordens judiciais contou com o acompanhamento de representantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-MT).

O alvo: Retorno de presídio federal 

O beneficiário da tentativa de fraude é Miro Arcângelo Gonçalves de Jesus, conhecido como “Miro Louco”, apontado pelas forças de segurança como vice-presidente de uma facção criminosa com atuação em Mato Grosso. Atualmente, ele cumpre pena na Penitenciária Federal de Catanduvas, no Paraná.

A manobra investigada pela Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) e pela Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco) consistia em usar uma decisão falsa para burlar os rígidos critérios de permanência em presídios de segurança máxima. O documento forjado determinaria a realização de estudos comportamentais para flexibilizar e antecipar a transferência de Miro Louco de volta para a Penitenciária Central do Estado (PCE), em Cuiabá.

A anatomia da fraude

De acordo com a apuração policial, as tratativas começaram em junho de 2025, quando um pedido formal de transferência foi protocolado. Meses depois, em dezembro, dois dos advogados investigados compareceram ao gabinete de uma unidade judicial em Cuiabá cobrando o cumprimento de uma suposta decisão que teria sido proferida em novembro.

Na ocasião, uma cópia do despacho foi enviada por um dos profissionais diretamente ao canal de atendimento institucional do gabinete. No entanto, durante a checagem de rotina, servidores do Judiciário perceberam que o magistrado nunca havia assinado tal despacho e que o registro era inexistente no sistema.

A perícia técnica e a verificação interna apontaram indícios claros de adulteração externa:

  • O documento apresentava um código de validação clonado de um processo totalmente diferente.

  • Havia distorções gráficas e desvios em relação aos padrões oficiais do sistema eletrônico de execução penal.

Para os investigadores, a investigação revelou divisão de tarefas: Pabline Mayara teria atuado diretamente na concepção, elaboração ou edição digital do arquivo fraudulento, enquanto Gerson Tomé e Felipe Augusto teriam encabeçado a apresentação e o protocolo do material perante o Poder Judiciário.

A deflagração da Operação Reescrita ocorre em um cenário em que as forças de segurança de Mato Grosso mantêm rigor absoluto no monitoramento de tentativas de rearticulação de facções a partir de celas federais. O rigor nos presídios de segurança máxima tem sido a principal barreira contra a influência de líderes criminosos no Estado, elevando o escrutínio sobre movimentações processuais atípicas e estratégias de defesa que tentam enfraquecer o isolamento de chefes do crime organizado.

As diligências desta quarta-feira apreenderam celulares, computadores e documentos, que passarão por exames complementares para aprofundar o alcance da rede criminosa e identificar eventuais ramificações da fraude.



Fonte: Click F5