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Conselheiro comprou Porsche e BMW com dinheiro desviado do TCE, diz PF

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O ex-procurador-geral de Contas e atual conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT), Alisson Carvalho de Alencar, adquiriu veículos de luxo e estruturou uma empresa de investimentos familiar utilizando recursos repassados de forma atípica pela Corte de Contas.

A conclusão é da Polícia Federal (PF) e do Ministério Público Federal (MPF), com base na quebra de sigilo bancário do investigado. Por determinação judicial ele foi afastado do cargo.

De acordo com informação obtida pela reportagem do , o conselheiro comprou dois veículos esportivos e de luxo no valor total de R$ 1,27 milhão: um Porsche Cayenne Coupe Hybrid (ano 2024/2025), adquirido em março de 2026, avaliado pela tabela FIPE em R$ 822,6 mil; uma BMW X2 M35i (ano 2025/2025), comprada em junho de 2025, no valor de R$ 454,9 mil.

Concentração de verbas e disparidade

Entre 1º de janeiro e 22 de outubro de 2025, período em que atuava como procurador de Contas antes de assumir o cargo de conselheiro, Alisson Alencar recebeu R$ 8,18 milhões do TCE-MT, distribuídos em 113 transações bancárias.

O volume financeiro representa 71,7% de todo o valor repassado pelo Tribunal ao grupo de quatro procuradores de contas do órgão no mesmo intervalo. Enquanto outros membros da carreira recebiam quantias padronizadas, o investigado recebia repasses adicionais de R$ 150 mil mensais sob a rubrica “SISPAG Fornecedores”, além de ordens bancárias avulsas.

Os investigadores apontam que, no período analisado de 294 dias, Alisson Alencar percebeu depósitos em 68 datas distintas, registrando uma média de R$ 120,3 mil por lançamento.

Múltiplas contas e holding patrimonial

O mapeamento financeiro da PF identificou que as transferências oriundas das contas do TCE-MT eram pulverizadas em contas mantidas por Alisson Alencar no Banco do Brasil, Itaú e Sicoob Integração.

Além da aquisição dos automóveis, o MPF aponta indícios de lavagem de dinheiro por meio da criação da empresa ACA Holding Patrimonial Ltda., registrada com capital social de R$ 3,47 milhões. A sociedade tem como integrantes o conselheiro, sua mãe e seu irmão falecido.

Diante do apurado, foram determinadas medidas cautelares como o afastamento do cargo no TCE-MT, proibição de acesso às dependências do órgão, retenção do passaporte e veto à realização de atos societários ou alienação de bens sem autorização judicial.



Fonte: Pnb Online